domingo, 19 de junho de 2011

Rebeldia

Jovens tendem a ser contestadores, é a natureza deles. Sempre tão enérgicos, sempre tão cheios de si. Mas jovens também tendem, de uns tempos pra cá, a ser completamente burros, sem personalidade, sem vontade própria e sem a mínima noção do certo ou errado.
Não que o conceito de certo e errado não seja vago, ele é, mas até que ponto ir para sustentar uma imagem de revolucionário, quando na verdade tudo que você faz é exatamente o contrário do que os verdadeiros revolucionários faziam?
Contestar, mudar, lutar. Rebeldia. Rebeldia não é encher a cara de álcool ou qualquer substância tóxica, vestir roupas sujas e sair por aí falando palavrão e desrespeitando os outros. Rebeldia não é pertencer a um grupo de idiotas tão acéfalos quanto você mesmo, vestidos de forma meio estilosa e arrotando arrogância. Se você ficasse hoje, cara a cara com um rebelde de verdade, desses que você vê estampando camisetas, ou em páginas da internet, ele com certeza absoluta riria da sua cara por ser esse jovem tão preso em seu próprio mundo sem futuro. 
Se você acha que está perdido, acredite, meu jovem: você realmente está. Mas não é motivo pra se orgulhar. Se você quer ser rebelde de verdade, se quer contestar os grandes, se quer chegar longe, comece a repensar seus motivos.
Vá lutar pela porra dos seus malditos direitos, vá lutar pela porra de um futuro melhor.
Ou vá se foder.

sábado, 18 de junho de 2011

Romance

Algo que te deixa assim, meio bobo, meio sem rumo. Certa noite estava tudo certo de um jeito incerto e agora já está tudo errado da melhor forma possível. Tem alguma coisa, alguma força e essa força te leva pra viajar nos campos mais cheios de cores e cheiros e lembranças, algumas das quais nunca sequer aconteceram. Você está vestida de branco, detalhes azuis e tem essa sensação aconchegante e quente que só te faz sentir viva.
Pode ser que o mundo tenha esquecido de como é enlouquecer dessa forma, porque enlouquecer é a palavra certa, para um estado em que todos seus atos, vontades, todos eles se direcionam para um único ser, parado na sua frente em toda sua imperfeição.
Mas, que se dane o mundo, não é? Você já está louco mesmo.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Pessoas.

São tantos modos, respirações, tons e jeitos, e você já não consegue fugir, pra onde olhar sem ver uma pessoa? E em todo canto parecem ser todas iguais. Algumas grandes, outras pequenas, algumas claras, outras escuras, mas parecem ser tão iguais. Todos os machos querendo provar sua macheza, andando de um lado pro outro com as asas abertas, tentando provar pra algum ser invisível que ele é completamente igual ao que está ao seu lado. E as fêmeas, todas com seus cabelos clareados, extremamente lisos, um tipo de pó pigmentado espalhado pelo rosto, exagerado, às vezes. Sempre competindo pra ver quem é mais fraca e submissa.
Tem gente bonita também, gente que atrai o olhar, que anda por aí exalando personalidade, exalando simpatia ou empatia, gente que te atrai. E tem gente feia, que sai e volta pra casa com a cara fechada, suando e fedendo e faz questão de deixar bem claro pro mundo: to emburrado.
E tem gente estranha, que é bem comum, e que é fácil de perceber quando você faz parte dessa taxonomia. Gente que anda por aí olhando pros lados, pra cima, pensando que viu um disco voador na última noite e como aquilo foi excitante e o quanto gostaria de encontrar aquele outro amigo agora pra poder contar. Tem meninas que gostam de passar o tempo sonhando e caras românticos, e gordinhos legais e magricelas engraçadas. E meninas que parecem meninos e meninos que parecem meninas. E meninas que são meninos e meninos que são meninas.
E todo mundo que é estranho tende a ser legal.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Três ou nove...

É engraçado lembrar do passado. Às vezes é triste, doloroso, nostálgico mas é engraçado. Lembrar de dias frios onde amigos novos saiam pra ser jovens juntos, fazer coisas que, no geral eram bem estúpidas, mas era tudo que os jovens como estes deviam fazer. É engraçado porque foi engraçado, engraçado quando tudo aconteceu.
Dois amigos meio bobos juntos, e outros tão bobos quanto envolta. Esses dois, meio completamente embriagados, talvez um deles pela primeira vez, dois seres humanos que antes olhavam para lados opostos e naquele momento seus olhares tontos e embasbacados se encontraram. E no meio de uma brincadeira com cunho sério, sem a mínima noção do errado ou certo, apenas os pensamentos inebriados pelo vinho e um beijo roubado, inesperado, maravilhoso.
E o que aconteceria dali pra frente? Por quanto tempo aquilo permaneceria na cabeça de ambos? Ninguém saberia, e nem sequer gostaria de saber. E os dois cérebros, os dois corações e os dois corpos, começaram a rumar para o mesmo lado. Surge calor, surge ternura.
Algumas outras vezes embriagados, outras meio atrapalhados, começaram a crescer, ambos, juntos, como ninguém imaginou que seria. E esses dois, tão bobos, sabiam apenas que era aquilo que eles queriam, e nada mais. Era tudo bem simples e ao mesmo tempo tão complicado.
Hoje, o gosto de vinho já não é tão agradável, nem são tão bons seus efeitos. Mas o beijo, o beijo continua o mesmo, melhor, talvez. O beijo continua seguindo de mãos dadas com o abraço e com o olhar perdido, e toda a sensação maravilhosa de não estar perdido sozinho.
E em meio a canções, lágrimas, toques, dias e noites, estações e fases, e em meio a todo um mundo de armadilhas, eles ainda estavam lá. Estariam sempre lá, e estariam sempre unidos.
E se isso não é amor, nada mais é.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Palavras superficiais.

E o sono veio, veio junto com um dia péssimo e um final de dia até que menos doloroso. Deu boas risadas, não chorou mais. Estava cheia de vontade de ouvir música e escrever.
Sabia que tudo poderia melhorar caso quisesse. Mas a sombra nunca abandona por completo. Apenas cuidando por um descuido, espreitando, esperando. Tente não abrir a porta da frente caso ela queira entrar.
E eis que no fim da noite, as palavras que saem às vezes parecem superficiais, mas vieram de tão fundo quanto vieram as ações e as lágrimas e as risadas. E quando você não consegue segurar uma risada. É bom.
Não posso negar que sou do tipo que sorri quando vê um carro clássico, uma casa bonita, um cachorrinho brincando ou uma flor estranha. 
Sorriso, seja bem-vindo. Fique o tempo que quiser. Vou lutar contra as lágrimas que restam, vou deixá-las de lado... Direi a elas: "vou ali e já volto", e demorarei bastante pra voltar.
Vou ali e já volto.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

E na eterna madrugada...

Ali estou eu novamente, olhando a vida pela janela do cárcere. Porém quem me mantém ali? Por infinitas madrugadas pensando no que poderá vir a ser sem conseguir agir. Por infinitas madrugadas pensando " - Hoje dormirei cedo."
Por tantas horas pensando no que foi, em tudo de bom que foi. Tudo de bom e um bom que parece que nunca mais vai acontecer. 
Mas você sabe que acontece. Acontece em momentos pequenos, em dias vazios onde um único gesto muda seu mundo. Mas em momentos pequenos também, ela desmorona. 
Porque ela escreve em várias pessoas num mesmo texto. Ela entra por uma janela e sai por um buraco no chão. Ela só se mantém presa ali porque tem medo de perder tudo que lhe é precioso, sem saber que presa ali, é bem capaz de tudo isso simplesmente escapar pelas lágrimas.
Ei pequena pequena. Levante-se e vá deitar. Amanhã o vento frio no seu rosto te lembrará que o frio é bom, é reconfortante.
E que daqui dois dias você estará sorrindo atoa novamente.